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Local Mental de Difícil Acesso

por Sofia Debossan

Existe um lugar da minha mente que eu não consigo acessar sozinha. Tem que ser em sonhos. O chão xadrez é encharcado, sujo. As paredes, úmidas, um dia já foram brancas mas agora estão cobertas de mofo. Sinto medo, frio, meus pés descalços pisam naquela água que eu não sei da onde veio. O cheiro do ambiente é algo azedo, parecido com resto de almoço estragado. No fundo desse local tem um corredor, que eu sei pra onde leva porque já estive aqui antes. O cheiro azedo se intensifica a cada passo que dou até o
corredor. O frio me faz tremer. Eu me abraço para me esquentar. Conforme ando pelo corredor, melhor consigo ver a porta de madeira pintada de azul que me espera. Cai uma lágrima, duas, três. Sem perceber, eu soluço de tanto chorar. Estou chegando no maldito lugar, no pior lugar que estive na minha vida toda. Eu estou prestes a dar de cara com a loucura pintada de azul. O presente falso da imaginação, o amor incondicional com data de validade. O cheiro de azedo já é impossível de não se sentir, mas eu não tapo as narinas.
Há algo em mim que me chama, é meu dever estar lá, é meu dever abrir a porta. Então eu a abro. E aqui está. O maldito lugar, exatamente onde começaram meus problemas, onde minha mente foi deixada para sobreviver sozinha, onde fui deixada a própria sorte por meu maldito cérebro: Aqui está o local onde cresci, meu quarto de infância.


 
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Imagem enviada pela autora.

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